Índice de normalidade em videohisteroscopia

Dr. Paulo Guimarães – Goiânia-GO
Dra. Erika Nobrega Henkes – São Paulo-SP

 

Buscando encontrar uma indicação que pudesse respaldar o achado de lesões precursoras ou mesmo de diagnósticos concretos de câncer de endométrio (ce), verificou-se um percentual expressivo de normalidade tanto de endométrio como de cavidade uterina. Percentual este menor que as referências de outros serviços, por se tratar de público alvo que se destina à prevenção de câncer global, e que é triado até a criação de um grupo de risco para ce, que é então encaminhado à videohisteroscopia.

 

No período de 28/08/95 a 30/05/97 foram realizadas 314 videohisteroscopias em serviço especializado em prevenção de câncer global (accg). A faixa etária variou de 19 anos a 95 anos. As pacientes foram encaminhadas para rastreio de ce por diversas indicações: espessamentos endometriais à usg, sangramento uterino anormal (sua), teste de progesterona positivo etc. Consideramos anormais achados de endométrio espessado incompatível com a fase do ciclo, lesões focais ou não de necrose, alterações de relevo, pólipos, atipias vasculares e hemorragias inter e intra-glandulares, miomas, endométrio hiperêmico com ou sem áreas purulentas, presença de sinéquias. Em todas as videohisteroscopias foram realizadas biópsias dirigidas, frente a lesões focais, ou biópsias com cureta de novak, quando presente apenas espessamento; exceto nos miomas exclusivos, nas cavidades normais e nos endométrios compatíveis. Todos os exames foram realizados em regime ambulatorial, exceto 16 (5.1%) exames que no primeiro tempo não foram realizados devido a dificuldades como: estenose cervical intensa, oclusão total de canal cervical ou deformidade produzida por amputação cervical prévia.

De um total de 314 videohisteroscopias, resultaram 140 (44.5%) exames que exibiram normalidade tanto de endométrio como de cavidade uterina. Nos serviços de videohisteroscopias os índices atingem cifras próximas de 60%. Nas 146 indicações por espessamentos endometriais, o que equivale a 46.5% das indicações para videohisteroscopia, o índice de normalidade foi verificado em 67 (45.9%). Nas 87 indicações por sua, o que equivale a 27.7% das indicações, foram encontrados padrões de normalidade em 45 (51.7%). Nas 14 indicações por hidrometra, o que equivale a 4.5% do estudo videohisteroscópico, o índice de normalidade foi de 4 (28.5%), sendo que em nenhuma das indicações por hidrometra houve achado de ce.

 

Conclusão – devemos então selecionar grupos de riscos para ce – sendo o grupo de risco formado por todas as mulheres com história familiar de câncer, ou diabéticas, ou obesas, ou ainda com anovulia crônica, hipertensão arterial ou hipercolesterolemia -, triar melhor após uma investigação continuada – como avaliação do endométrio em mais de um momento por usg, realizar prova de progesterona com atenção para resultado positivo na menopausa, estudar o endométrio das pacientes usuárias de tamoxifen por mais de 3 anos. Observar a experiência dos ultrassonografistas e a utilização de transdutores endovaginais de maior sensibilidade. Desta forma um adestramento de uma equipe multi-disciplinar poderá reduzir o índice de normalidade a patamares de menores falsos – positivos.

 

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