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Miomas e Embolização

MIOMAS UTERINOS

ATÉ QUE LIMITES SE PREOCUPAR COM MIOMAS UTERINOS ?

Dr. Paulo Guimarães

Os miomas uterinos são tumores benignos (não cancerosos)que se desenvolve na musculatura uterina de origem dos tecidos fibrosos daí o nome fibroma uterino. Afetam perto de 20% da população feminina sendo na sua grande maioria assintomáticos, ou seja, não determina nenhum sinal e muitas vezes é diagnosticado ocasionalmente por meio de exames de rotina.

Nem todos os miomas merecem tratamento cirúrgico, apenas os que apresentam sintomas como hemorragias, fluxo intenso nas menstruações, indicam crescimento ou quando apresentam tamanhos superiores a 5 cm de diâmetro. Assim, não é suficiente apenas o diagnóstico, no momento realizado na ultrassonografia. É necessário acompanhar sua e evolução, determinar sua localização. Muitos miomas crescem até a chrgada da menopausa, sendo que após este evento, estabilizam ou reduzem de tamanho. Muitas vezes eles podem voltar a crescer com o início da reposição hormonal na menopausa. Os miomas podem ser únicos ou múltiplos e às vezes se apresentam em diversas formas e tamanhos. Raramente estão com a infertilidade



Podem estar localizados no corpo uterino (intramurais), na periferia do útero (seroso, pediculados)ou mesmo na intimidade da cavidade uterina (submucosos ). Estes são os mais freqüentes relacionados com as hemorragias fora do período menstrual ou pelo excesso de volume de sangue mestrual. A forma de diagnósticar os miomas são múltiplas, desde o mais simples ultrassom endovaginal ou pélvica, até as mais sofisticadas técnicas de diagnósticos como ressonância magnética, videohisteroscopia,  e histerossonografia. Após o diagnóstico, dependendo da sua localização, tamanho e sintomas, programa-se o tratamento. Na maior parte das vezes ele é o conservador, significando apenas um controle periódico por ultrasson. Porém, se apresenta com grandes volumes são únicos. Se a mulher já tem prole definida ela pode optar por diversas técnicas de retirada do mioma ou mesmo o tratamento radical como a retirada do útero (histerectomia total). Pode-se optar modernamente pela cirurgia videolaparoscópia, onde por pequenas incisões, miomas de até 6 cm de diâmetro podem ser abordados com procedimento minimamente invasivo. Com isso, a recuperação é mais rápida, ocorre a manutenção de aspectos estéticos (com incisões menores que 10 cm)e a permanência hospitalar dura menos que 24 horas.


Mioma Uterino



Outro procedimento para retirada de miomas submucosos, ou seja, aqueles localizados na cavidade uterina, é a videohisteroscopia. Realizada com a introdução de uma pequena ótica acoplada à uma mini-câmera, ela retira o mioma sem cortes por via vaginal. O procedimento é rápido e a internação inferior à 12 horas.

O tratamento clínico utilizando medicações injetáveis (Análogos GnRh) reduz o mioma em 10% do seu volume, com três a quatro meses de uso. Porém, ao se interromper a medicação, eles voltam ao tamanho original em dois meses. Estes medicamentos são utilizados como preparo cirúrgico, para reduzir o volume dos miomas uterino e propiciar sua abordagem com mais facilidade e menor sangramento, preferencialmente pelos métodos endoscópicos como videohisteroscopia e videolaparoscopia.



EMBOLIZAÇÃO DA ARTÉRIA UTERINA PARA TRATAMENTO DO MIOMA SINTOMÁTICO
Dr. Paulo Guimarães



A embolização das artérias uterinas para tratamento de Mioma sintomático não é uma técnica nova, mas uma aplicação nova de um procedimento antigo que tem sido empregado há mais de 20 anos. Tem sido publicado, principalmente na literatura radiológica e ginecológica, numerosas séries clínicas que descrevem a oclusão das artérias uterinas, seja pela ligadura cirúrgica ou com o uso de um agente de embólico.

As indicações mais comuns são hemorragias pós parto, sangramento decorrente de trauma ou cirurgia e sangramento por gravidez ectópica. Em todas as séries, as taxas de sucesso técnicas estão normalmente entre 90 e 100%, havendo sido relatadas poucas complicações ou efeitos adversos..

O Mioma uterino, também conhecido como leiomioma ou fibroma, é o tumor pélvico mais comum em mulheres nos Estados Unidos. Em outros países como Grécia, eles são extremamente incomuns, porem, nos EUA a prevalência pode ser tão alta alcançando 40% em algumas áreas. Isto implica a milhões de mulheres, mas afortunadamente 3/4 permanecem assintomáticas. Só uma quarta parte destas requer atenção médica, comumente para :

 

  1. Menstruações extremamente abundantes que com freqüência provocam anemia ;
  2. Sangramento entre os períodos;
  3. Dor pélvica e
  4. Pressão na bexiga e outro órgãos.


São executadas aproximadamente 600,000 histerectomias anualmente nos Estados Unidos das quais um terço são indicadas por Mioma. O número de miomectomias, por outro lado, só é aproximadamente de 18,000 ao ano. O impacto no orçamento para o cuidado da saúde da mulher está na ordem de bilhão de dólares.

Tradicionalmente, o tratamento de Mioma sintomático tem sido a histerectomia. Embora esta cirurgia resolve definitivamente o problema, torna irreversível o potencial de fertilidade da mulher. Pacientes também podem sofrer um impacto profundo na sua identidade convívio sexual. O número de histerectomias está afortunadamente em declínio devido ao advento de tratamentos mais novos, como a miomectomia. Embora a miomectomia pode eliminar o mioma responsável pelos sintomas e manter o potencial de fertilidade, a cirurgia leva mais tempo e freqüentemente resulta em maior perda de sangue e morbidez pós operatória; tem sido relatado também uma taxa de recorrência entre 15 e 25%.

O uso de hormônios, contendo estrógenos ou antagonistas de GnRH, embora efetivo para controle dos sintomas, não é uma estratégia promissora a longo prazo já que quando a terapia é descontinuada, o Mioma volta a crescer.. Em 1995, Jacques Ravina e os seus colegas na França começaram a utilizar a embolização uterina pré operatória com intuito de diminuir o sangramento durante a miomectomia. Entretanto, observaram que após a embolização os miomas reduziam o seu tamanho e em muitos casos, as mulheres cancelaram a cirurgia por causa da melhora sintomática. Eles foram então estudar prospectivamente a embolização de artéria uterina para o tratamento de Mioma sintomático e obtiveram uma alta taxa de sucesso técnico, observando uma melhoria sintomática e uma redução de volume uterino significativa. Em 1997, Scott Goodwin e os seus colegas na UCLA informaram a primeira experiência nos EUA Nas os onze pacientes desta série havia fracassado a terapia convencional.

Uma paciente foi perdida do seguimento, uma outra foi para histerectomia e sete das restantes nove pacientes tiveram melhoria clínica significativa. O procedimento de Embolização de artéria uterina leva tipicamente entre uma e duas horas. Começa com uma angiografia pélvica para delinear a anatomia vascular. Ambas as artérias uterinas precisam ser cateterizadas de seletivamente e embolizadas com partículas. Tipicamente, a embolização é realizada com álcool Polivinilico (PVA), partículas que são de tamanho variável entre 300 e 500 micra (1mícron = 1/1000 mm). Estas ocluem as arteriolas e devascularizam o Mioma, poupando o restante do útero. O procedimento requer sedação com agentes rotineiros ou eventualmente bloqueio peri-dural.

Anestesia geral não é necessária. Utiliza-se antibióticos no pré-procedimento como profilaxia contra infeção. A angiografia pré embolização demonstra tipicamente um útero difusamente hipervascularizado. A artéria uterina se apresenta em geral, bastante tortuosa e com calibre aumentado. Após a embolização o controle angiográfico revela a ausência de vascularização dos ramos distais da artéria uterina. Os riscos para lesões vasculares relacionadas ao procedimento angiográfico, ou outro tipo de complicação também é extremamente baixo.

Imediatamente após a embolização, todas as pacientes têm dor pélvica que pode estar acompanhada de náuseas e vômitos. Recomenda-se em geral, a hospitalização das pacientes por um período de observação de 24 horas. já que, embora, alguns protocolos possibilitam a liberação precoce com a melhora dos sintomas. A maioria dos pacientes regressam às atividades laborativas dentro de uma semana O alívio de sintomas, o tamanho e número do(s) Mioma(s) deverá(ão) ser documentado(s) para seguimento clínico e ultrassonográfico por pelo menos três meses.

Foram tratadas muitas centenas de pacientes nos Estados Unidos com este procedimento, embora os números na literatura são substancialmente baixo. Não obstante, todas as séries relatadas têm sucesso técnico em cerca de 98%. Também mostram uma taxa alta de sucesso clínico (diminuição da hemorragia e efeito de massa), mais de 90%, que não requerem nenhum tratamento adicional. Em média, a redução de volume no útero e Mioma não relaciona com melhoria sintomática. Apesar de uma taxa alta de alívio sintomático, a maioria dos pacientes tem reduções de volume só modestas.

Há algumas contra-indicações. Por exemplos, pacientes que receberam irradiação pélvica, ou tiveram endometrites crônicas, ou DIP aguda (doença inflamatória pélvica) o podem favorecer o risco de infecção. Não devem ser submetidas as pacientes com insuficiência renal crônica pois este procedimento utiliza meio de contraste iodado (contra indicação relativa), e as malignidades ginecológicas devem ser excluídas.

Todos os pacientes devem ser avaliados por um ginecologista. Como já foi mencionado, há outras causas para hemorragia uterina que deverem ser consideradas. Os exames preliminares devem incluir uma biópsia de endométrio. A gravidez, deve ser excluída. Um ultra-som é essencial para avaliar melhor a paciente para este procedimento e também como controle para comparação pós tratamento. Em resumo, o tratamento de Mioma sintomático através de Embolização de artéria uterino parece estar seguro, tecnicamente possível com equipamento de Angiografia Digital e é facilmente tolerado pelas pacientes. A maioria das pacientes tem melhora dos sintomas em de alguns semanas.



NOVAS ALTERNATIVAS DE TRATAMENTO DE MIOMAS UTERINOS -
EMBOLIZAÇÃO DAS ARTÉRIAS UTERINAS
Dr. Paulo Guimarães

Perto de 600.000  mulheres se submetem a histerectomias(Retirada de útero) por ano no E U A.   É crescente  o surgimento de tratamentos minimamente invasivos para tratar os sangramentos uterinos anormais.Em decorrência das complicações  cirúrgicas das Histerectomias  como lesão de bexiga, Ureter (tubo que conecta o Rim a bexiga), transfusões sanguineas, lesão intestinal, infeções, vem  aumentando a solicitação por parte das pacientes por procedimentos menos agressivos e não cirurgicos radicais como a retirada de útero, miomas (miomectomia). Assim assistimos a evolução de métodos  Endoscópicos como Videolaparoscopia e Videohisteroscopia. O primeiro através de um pequeno sistema ótico (telescópio) de 10mm, acoplado a uma mini endocamera, acompanhada por um monitor se executam-se cirurgias ginecológicas com requintes de menor agressividade e menor incisão na pele, bastando apenas duas ou três incisões de menos de 6mm , assim algumas miomectomias (Retirada de miomas), podem ser  conduzidas . Outro método, a  Miólise, onde os miomas são coagulados por  um sistema de energia bipolar, fazendo sua destruição reduzindo seu volume . A Videohisteroscopia outro sistema endoscópicos, que penetrando pelo orifício original do colo uterino, também realiza a miomectomia (retirada dos miomas submucosos) alojados no interior da cavidade uterina. Todos os dois métodos exigem um mínimo de permanência hospitalar menor que 24 horas.

Porém existe um grupo de mulheres que apresenta  sangramentos uterinos associados aos miomas uterinos de grande volume e que pela faixa etária  mais jovem ou por outros motivos ,como priorização da formação profissional e cultural, ainda não possuem prole definida. Este grupo angustia numa via cruzis em busca de alternativas terapêuticas que assegurem  resultados dos sangramentos com preservação dos seus úteros para futura procriação. Em algumas situações as retiradas de miomas por cirurgia convencional, poderá comprometer a reprodutividade feminina , pelas deformidades causada pela cirurgia, assim como aderências pélvicas  intercorrentes(Os órgãos internos como intestinos, trompas uterinas, ovários, e  útero,  colam-se  entre si)

Para este grupo de mulheres estaria indicada a Embolização das artérias uterinas. Objetiva este procedimento a obstrução das artérias uterinas, ocluindo  com partículas de PVA de diâmetros muito pequenos da ordem de 300 a 500 micron(1 micrômetro é igual 1milimetro dividido por 1000) Procedimentos de alta resolutividade, de baixo risco, de curta permanência hospitalar e isento de cirurgia na cavidade abdominal. O mais importante, preservando a integridade do útero e  tratando as hemorragias uterinas causadas pelos miomas uterinos. Este novo tratamento conservador para miomas uterinos foi iniciado em 1995 , pela equipe J. H. Ravina em Paris na França e por Bruce Mclucas em Los Angeles EUA em 1996. Nos trabalhos de Ravina perto de 88% das pacientes submetidas a embolização das artérias uterinas, tiveram  os quadros de hemorragias normalizados com redução dos volumes dos miomas em torno de 66%. Nos trabalhos  de Mclucas, o seguimento (Follow up) de 18meses ,não foi verificado novo crescimentos dos miomas reduzidos pela embolização das artérias uterinas. Os trabalhos de Ravina indicam pacientes que engravidaram após até  mesmo de gêmeos sem complicações. As embolizações das artérias uterinas é um procedimento realizado por médico  da especialidade de Radiologia Intervencionista  integrado a uma equipe multidisciplinar. (Ginecologia,Radiologia Intervencionista, Anestesiologia, ultra-sonografia, Anatomia Patológica Veja  melhor no nosso site como se realiza a Embolização para tratamento dos Miomas.


Referencias Bibliográficas Recomendadas

Ravina JH,Bouret JM,Fried D et al 1995ª Value of pre operative embolization of uterine fibroma:Report of a multicenter series of 31 cases. Contraception, Fertilité Sexualité 23:45-49.

Ravina Já, Herbreteau D et al 1995a Arterial embolisation to treat uterine myomata. Lancet.346:671-772

Vedantham S, Goodwin SC, Mcluccas B 1997. Uterine artery embolization: un underutilized method of controlling pelvic hemorrhage. American journal of Gyn & Obst

Mcluccas B, Goodwin S 1996-Embolic therapy for myomata. Minimally invasive Therapy and allied tecnologies 5: 336-338.



EMBOLIZAÇÃO DE MIOMA UTERINO
UMA NOVA ALTERNATIVA PARA A SAÚDE DAS MULHERES


Esta apostila foi elaborada para responder as perguntas mais freqüentes sobre os miomas de útero, e está de acordo com as normas e orientações fornecidas pela Society of Cardiovascular and Interventional Radiology (SCVIR) e a Sociedade Brasileira de Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular (SoBRICE).

Aqui você encontrará informações sobre esta enfermidade que afeta a saúde de tantas mulheres e alguns detalhes de uma nova alternativa para tratar os miomas mediante técnicas de Radiologia Intervencionista que se denomina Embolização de Artéria Uterina.

Sintomas e Forma de Tratamento

P. Que são os miomas de útero?
R. Os miomas, também chamados de fibromas ou leiomiomas, são formações nodulares que se desenvolvem na parede muscular do útero. Dependendo da sua localização, tamanho e quantidade podem ocasionar problemas em algumas mulheres, incluindo dor e sangramentos intensos.
Tipicamente, os sintomas melhoram após a menopausa, quando o nível de hormônios femininos diminui na circulação sangüínea. Entretanto, mulheres que nesta fase utilizam reposição hormonal os sintomas podem continuar a manifestarem-se.
O tamanho dos miomas pode variar desde pequeno a grandes formações que simulam uma gravidez de 5 ou 6 meses. Dependendo da sua localização na parede do útero os miomas agrupam-se em três tipos:

 

 

  • Os "subserosos" que se localizam na porção mais externa do útero e geralmente crescem para fora. Este tipo de mioma geralmente não afeta o fluxo menstrual, porém, pode tornar-se desconfortável pelo seu tamanho e pressão sobre outros órgãos da pélvis.
  • Os "intramurais" que crescem no interior da parede uterina e se expandem fazendo com que o útero aumente seu tamanho acima do normal. São os miomas mais comuns e geralmente provocam um intenso fluxo menstrual, dor pélvica ou sensação de peso.
  • Os "submucosos" que se localizam mais profundamente, bem abaixo da capa que reveste a cavidade uterina. São os miomas menos comuns mas provocam intensos e prolongados períodos menstruais.


P. Quais são os sintomas típicos?
R. Dependendo da sua localização, tamanho e quantidade os miomas podem provocar:

  • Períodos menstruais intensos e prolongados além de sangramentos mensais atípicos, por vezes com coágulos. Com freqüência, isto pode levar a anemia.
  • Dor pélvica.
  • Pressão pélvica ou sensação de peso.
  • Dor nas costas ou pernas.
  • Dor nas relações sexuais.
  • Sensação de pressão na bexiga com vontade constante de urinar
  • Pressão no intestino que leva a constipação ou distensão.
  • Crescimento anormal do abdome inferior.P. Quem está mais propensa a ter mioma de útero?

R. Os miomas uterinos são muito freqüentes, mas na maioria da vezes, são muito pequenos e não causam qualquer problema.
Entre 20 e 40% das mulheres após os 35 anos tem miomas de tamanho considerável. As pacientes que não engravidaram até esta idade estão mais propensas a desenvolver miomas, assim como a mulheres de origem afro-brasileiras.

P. Como são diagnosticados os miomas uterinos?
R. Os miomas são geralmente diagnosticados durante um exame ginecológico. Seu médico irá realizar um exame pélvico para sentir se o seu útero está aumentado. A presença do mioma é confirmado com um ultra-som de abdome. Também pode ser utilizado a tomografia computadorizada ou a ressonância magnética para confirmar o diagnóstico. Ultra-som, tomografia e ressonância são estudos radiológicos não invasivos e absolutamente indolores.
O tratamento apropriado depende do tamanho e localização dos miomas, assim como da severidade dos sintomas.

P. Como se tratam os miomas uterinos?
R. A maioria dos miomas não causam sintomas e por isto não se tratam. Quando causam sintomas, a terapia medicamentosa é o primeiro passo no tratamento. Medicamentos que auxiliam a coagulação, anti inflamatórios não hormonais ou compostos hormonais podem ser usados nesta fase e na maioria das vezes são suficientes para controlar os sintomas sem precisar de terapia adicional. Alguns compostos hormonais apresentam certos efeitos colaterais e outros riscos quando utilizados a longo prazo e por isto geralmente são indicados temporariamente. Deve-se salientar que os miomas geralmente voltam a crescer quando a terapia medicamentosa e descontinuada.

Quando o tratamento com medicamentos falha o próximo passo é tentar uma terapia mais invasiva. As opções mais comuns incluem:

  • Embolização da artéria uterina. Este novo procedimento não cirúrgico será explorado com mais detalhes nesta apostila mais adiante. Consiste na introdução de um pequeno tubo plástico de 2 milímetros denominado cateter na artéria que passa pela virilha. Este cateter será conduzido por dentro das artérias até alcançar as que se dirigem para o útero e os miomas. Nesta posição são injetadas pequenas partículas plásticas que ocluem a passagem de sangue para o mioma causando o seu encolhimento.
  • Miomectomia. É um procedimento cirúrgico que remove somente o mioma, não todo o útero, preservando assim a capacidade da mulher para engravidar.
  • Há várias técnicas para realizar a miomectomia, que incluem: a via histeroscópica, a via laparoscópica ou a via abdominal.

    1. A miomectomia por via histeroscópica é utilizada somente para extrair os miomas que se encontram por debaixo da camada interna do útero e se exteriorizam para a cavidade uterina. Não se requer qualquer incisão cirúrgica. O médico introduz um tubo flexível chamado histeroscópio através da vagina e colo uterino e com instrumentos apropriados extrai o mioma. Este procedimento é realizado geralmente de forma ambulatorial e com anestesia.

    2. A miomectomia laparoscópica é utilizada para extrair miomas que se encontram na porção externa do útero. Pequenas incisões são realizadas na parede abdominal por onde são introduzidos uma micro câmera de vídeo e instrumentos apropriados para realizar a extração do mioma. Este procedimento é realizado com anestesia geral.

    3. A miomectomia abdominal é um procedimento cirúrgico formal que consiste na realização de uma incisão na parede abdominal para aceder ao útero e uma outra incisão no útero para extrair o mioma. Após a retirada do mioma o útero é suturado. Esta cirurgia requer anestesia geral e geralmente vários dias de hospitalização.

    A miomectomia é freqüentemente bem sucedida para controlar os sintomas, porém, quanto maior número de miomas tiver o útero, menor sucesso terá a cirurgia. Adicionalmente, os miomas podem voltar a crescer alguns anos após a miomectomia.
  • Histerectomia. Aproximadamente 1/3 das milhões de histerectomias realizadas anualmente no mundo todo são devidas a mioma uterino. Histerectomia é a remoção cirúrgica do útero que pode ser realizada por via vaginal, laparoscópica ou abdominal como é mais convencional. Este procedimento cirúrgico requer anestesia geral ,demanda três ou quatro dias de hospitalização e quatro a seis semanas de recuperação. A histerectomia atualmente é a terapia que mais comumente se emprega para tratamento de mioma uterino. Tipicamente realiza-se em mulheres que perderam suas possibilidades de engravidar ou naquelas que compreendem que após esta cirurgia não terão qualquer possibilidade de engravidar novamente.

P. O que é a embolização de miomas?
R. A embolização das artérias uterinas é uma nova alternativa para tratar as mulheres que apresentam mioma uterino sintomático. É um procedimento minimamente invasivo que requer somente uma pequena incisão na pele feita com anestesia local. A embolização de miomas é um procedimento realizado por um médico especialista em Radiologia Intervencionista, isto é, um profissional que recebeu treinamento específico para realizar este e muitos outros procedimentos minimamente invasivos e portanto, menos traumáticos que a cirurgia convencional.

O radiologista intervencionista faz uma incisão de aproximadamente 2 milímetros na pele da virilha por onde introduz um fino tubo plástico denominado cateter na artéria que passa abaixo da pele. Este cateter é direcionado por dentro das artérias que se visualizam com a utilização de um equipamento de raios “X” até alcançar as artérias uterinas que levam sangue para os miomas. Nesta posição são injetadas partículas plásticas por dentro do cateter até entupir estas artérias e comprovar que o mioma não recebe mais sangue. Desta forma os miomas param de crescer e começam a encolher.

A embolização uterina geralmente requer uma noite de hospitalização. Após o procedimento prescreve-se medicação para a dor espasmódica ou cólicas que são efeitos colaterais comuns. Febre é um efeito adverso ocasional e pode ser facilmente controlado com medicação apropriada. A recuperação leva em geral 1 semana, embora as vezes possa se prolongar.

Embora a embolização para tratamento de miomas foi descrita em 1995, a embolização do útero vem sendo empregada com sucesso por radiologistas intervencionistas há mais de 20 anos para tratar diferentes tipos de hemorragias de origem ginecológica, principalmente sangramentos pós parto.

P. Qual é o sucesso clínico da embolização de miomas?
R. O sucesso deste método já foi descrito em vários trabalhos científicos publicados na literatura médica. Nestes trabalhos, realizados na Europa e nos Estados Unidos, observa-se que entre 85% e 95% das mulheres submetidas a embolização referem uma remissão significativa ou total da dor e outros sintomas. Este método tem funcionado muito bem, mesmo quando há múltiplos miomas no útero. Não foi observada qualquer recorrência do problema em mulheres que foram acompanhadas por até cinco anos após a embolização e as pacientes tem manifestado um alto índice de satisfação com este método.

P. Há algum risco associado a embolização de miomas?
R. A embolização de miomas é considerado um procedimento muito seguro, porém, há alguns riscos como, geralmente, acontece com qualquer procedimento médico.

A maioria das mulheres experimentam uma dor abdominal intensa e cólicas nas horas que seguem a embolização. Algumas mulheres referem náuseas e febre. Todos estes sintomas podem ser bem controlados com medicação apropriada. Um pequeno número de mulheres pode desenvolver infeções que em geral são de fácil controle com o uso de antibióticos. Foi relatado que há uma probabilidade de aproximadamente 1% em provocar uma lesão uterina que possa requerer de uma histerectomia cirúrgica. Uma porcentagem similar de mulheres podem perder os seus ciclos menstruais, isto é, entrar na menopausa após a embolização.

A miomectomia e a histerectomia também apresentam riscos que podem incluir infeção e sangramentos que requeiram transfusão de sangue. A miomectomia cirúrgica, embora preserve o útero, pode originar aderências entre os órgãos abdominais e isto pode levar a infertilidade.
Você deve conversar com o seu médico sobre os riscos e efeitos colaterais de cada procedimento que você pode escolher.

P. A embolização afetará a minha fertilidade?
R. Este assunto é controvertido e não há, ainda, uma resposta definitiva.
Numerosas pesquisas científicas estão sendo conduzidas para elucidar esta questão. Entretanto, foi observado que em algumas mulheres, que fizeram embolização para tratamento de mioma ou outras patologias ginecológicas , não só engravidaram após o procedimento, mas também tiveram parto normal.

P. A embolização é um procedimento caro?
R. Não. A embolização não é um procedimento caro principalmente por que não requer um período longo de internação e também não utiliza muitos recursos hospitalares. As mulheres retornam ao seu lar após passarem um dia no hospital e em geral retomam as suas atividades normais após uma semana.

P. Há cobertura dos convênios e seguros de saúde para embolização?
R. Por ser um procedimento novo, a embolização de miomas não foi codificada ainda na tabela de honorários da Associação Médica Brasileira (AMB). Entretanto, como ocorre com outros procedimentos, utiliza-se o critério de similaridades para codificar este procedimento. Desta forma, a maioria dos convênios e seguros de saúde devem outorgar cobertura para este procedimento.

Os miomas podem estar localizados em várias partes do útero causando sintomas diferentes. Dependendo da sua localização denominam-se: subserosos, intramurais ou submucosos.



Um fino tubo plástico denominado cateter é introduzido na artéria através de uma pequena incisão na virilha e é conduzido até o útero.



Uma vez que o cateter alcança as artérias do útero pequenas partículas plásticas são injetadas para bloquear o fluxo de sangue para os miomas.



Tratamento do Mioma Uterino por Técnica de Embolização

Comunicado da Sociedade Brasileira de Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular (SoBRICE)

  1. A embolização é uma técnica que se emprega há mais de 20 anos e que consiste na oclusão de um vaso para impedir a passagem do sangue. Esta técnica se aplica para o tratamento de inúmeras doenças como aneurismas, malformações vasculares, fístulas artério-venosas, tumores e hemorragias de vários tipos.
  2. A embolização uterina é portanto também uma técnica antiga que tem sido empregada para o tratamento de diversos tipos de sangramentos de origem ginecológico, porem somente há poucos anos foi demonstrado a eficácia desta técnica para controlar o sangramento e outros sintomas provocados pela presença de miomas no útero.
  3. A embolização é uma técnica minimamente invasiva que deve ser realizada por um especialista em Radiologia Intervencionista, isto é um médico que recebeu treinamento específico e que conta com experiência clínica suficiente para fazer este tipo de intervenção.
  4. Para estar apto a fazer uma embolização uterina o profissional deve ter experiência com a utilização de contrastes radiológicos, técnicas de cateterismo, manuseio de agentes embolizantes e principalmente com angiografia pélvica e ginecológica o que não se apreende em algumas semanas ou meses e sim após vários anos de estudo e dedicação integral a Radiologia Intervencionista.
  5. A SoBRICE mantém um cadastro com mais de 120 membros distribuídos em 27 cidades do Brasil com condições técnicas para realizar este tipo de intervenção e esta a disposição das pacientes e médicos ginecologistas para prestar qualquer tipo de esclarecimento sobre este tema.


SoBRICE  - Sociedade Brasileira de Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular



SISTEMÁTICA  PARA REALIZAÇÃO DA EMBOLIZAÇÃO DAS ARTÉRIAS UTERINAS

 

  1. Todas as indicações para uma histerectomia (retirada radical do útero) estão indicadas para Embolização.
  2. Solicitação médica para avaliação   das propostas de tratamento de Miomas
  3. Histórico  dos miomas com  acompanhamento Ultra-sonográfico
  4. Avaliação Ginecológica  e discussão das alternativas  personalizadas
  5. Se a paciente for menopausada, avaliação endometrial ( biópsia  endometrial, histeroscopia Ultrassonografia  Laparoscopia)
  6. Avaliação com Radiologista Intervencionista
  7. Exames pré operatórios de rotina (solicitação prévia)
  8. Internação  hospitalar por 24 horas na unidade de Hemodinâmica
  9. Realização no período pós menstrual imediato
  10. Acompanhamento por Ginecologista e Anestesiologista
  11. Alta hospitalar com laudo e histórico do procedimento para seguimento do médico solicitante
  12. Orientação  gerais    e medicamentosa
  13. Contato da equipe com o médico solicitante
  14. Revisão ultrassonográfica trimestral até  12 meses

 



RADIOLOGIA INTERVENCIONISTA (RI)

Especialidade que se refere aos procedimentos ditos cirúrgicos mas realizados com a utilização de técnica desenvolvida com a ajuda dos equipamentos radiológicos (Rx convencional, angiografia digital, ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância núclear magnética).  A intervencão radiológica pode ser aplicada em várias especialidades, seja para ocluir ou desobstruir artérias e veias, drenar coleções, retirar cálculos, excluir aneurismas da circulação, parar sangramentos, reduzir o suprimento de sangue para tumores. Enfim quase tudo que se refere a artéria e veia e em vários orgãos (fígado, pulmão, rim, cérebro), podemos atuar de maneira minimamente invasiva. 

Em vários procedimentos excluímos por completo a necessidade de uma cirurgia convencional, como nos tratamentos de aneurismas e malformações artério-venosas cerebrais, nas angioplastias das artérias carótidas, renais e ilíacas.  Mais informação sobre Radiologia intervencionista poderá se obtida na página oficial da Sociedade Brasileira de Radiologia Intervencionista no seguinte endereço www.sobrice.org.br 

Especificamente nos tratamentos dos miomas uterinos, realizamos a redução do fluxo de sangue com a utilização de micro partículas de efeito permanente(êmbolos) que obstruem as pequenas artérias que chegam ao mioma. Com isso o mioma fica sem vascularização e como resultado ele diminui de tamanho ou desaparece por completo. 

Como existem outras modalidades de tratamento, a embolização só será indicada após uma avaliação clínica rigorosa onde cada paciente será submetida  a uma séries de exames diagnósticos para que a indicação seja precisa e seguramente a melhor para cada uma das pacientes.



LINKS SOBRE MIOMAS

Centro de Tratamento de Miomas
The Fibroid Corner
Fibroid Embolization Center
UCLA Medical Group
GeorgeTown University Medical Center

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Especialidade que se refere aos procedimentos ditos cirúrgicos mas realizados com a utilização de técnica desenvolvida com a ajuda dos equipamentos radiológicos (Rx convencional, angiografia digital, ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância núclear magnética).  A intervencão radiológica pode ser aplicada em várias especialidades, seja para ocluir ou desobstruir artérias e veias, drenar coleções, retirar cálculos, excluir aneurismas da circulação, parar sangramentos, reduzir o suprimento de sangue para tumores. Enfim quase tudo que se refere a artéria e veia e em vários orgãos (fígado, pulmão, rim, cérebro), podemos atuar de maneira minimamente invasiva.

Em vários procedimentos excluímos por completo a necessidade de uma cirurgia convencional, como nos tratamentos de aneurismas e malformações artério-venosas cerebrais, nas angioplastias das artérias carótidas, renais e ilíacas.  Mais informação sobre Radiologia intervencionista poderá se obtida na página oficial da Sociedade Brasileira de Radiologia Intervencionista no seguinte endereço www.sobrice.org.br

Especificamente nos tratamentos dos miomas uterinos, realizamos a redução do fluxo de sangue com a utilização de micro partículas de efeito permanente(êmbolos) que obstruem as pequenas artérias que chegam ao mioma. Com isso o mioma fica sem vascularização e como resultado ele diminui de tamanho ou desaparece por completo.

Como existem outras modalidades de tratamento, a embolização só será indicada após uma avaliação clínica rigorosa onde cada paciente será submetida  a uma séries de exames diagnósticos para que a indicação seja precisa e seguramente a melhor para cada uma das pacientes.

 

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